Agora são horas e minutos - Bem-vindos ao Memories!


15 setembro 2009

A herdeira de Jade

  

Ilustração de Rae Nakajima

Maria tinha uma gatinha chamada Jade, por ter uns belos olhos verdes. Ela adorava se aninhar no seu colo, enquanto Maria fazia os trabalhos de casa ou via televisão. E nem queiram saber como Jade ficava feliz quando Maria regressava à casa, depois da escola ou de um passeio! Se enroscava toda em suas pernas e mal deixava Maria caminhar! Nas horas das refeições, era Maria quem preparava o pratinho de Jade, com muito cuidado, não fosse alguma pequena espinha de sardinha passar sem que ela se apercebesse! Dava-lhe o banho, escovava seu pelo macio... e antes de dormir, brincavam com uma peninha de gaivota que sua mãe havia encontrado na praia. Uma linda amizade unia as duas!
E veio a primavera com seus perfumes e cores. Toda a natureza em festa! E num desses dias lindos, Maria, ao regressar da escola, não teve a recepção feliz de sua amiga. Procurou-a por todos os cantos da casa, mas nada. Procuraram por todas as ruas e casas da vizinhança, mas nada. Jade tinha desaparecido. Maria ficou muito trise. Sua mãe queria adoptar uma outra gatinha, mas Maria não imaginava substituir sua amiga querida. Todas as tardes ela ficava olhando pela janela, na esperança de ver Jade voltando... E o tempo  foi passando...
Chegou o outono e a volta às aulas. Dias mais frescos e mais pequenos... E foi no final de um desses dias, quando Maria já se preparava para ir dormir, que ela escutou um barulhinho do lado de fora da janela do seu quarto. Curiosa, foi espreitar pela vidraça, e viu uma bolinha aveludada muito pequenina, com duas luzinhas verdes faiscando como duas esmeraldas! Abriu depressa a janela e antes que se desse conta...zupt! A bolinha saltou para dentro do seu quarto e foi direto para a sua cama. Maria, com os olhos arregalados, nem podia acreditar no que via! Ao aproximar-se, viu que era uma filhotinha e reconheceu aqueles lindos olhos verdes, e sua expressão meiga e doce! Era bem a filhinha de Jade!
Foi correndo à cozinha buscar um pratinho de leite morno e quando se deu conta, já a gatinha tinha encontrado a peninha de gaivota e brincava com ela feliz!
Maria adormeceu tranquila.
Sonhou que tinha Jade ronronando em seu colo e que, entreabrindo os seus lindos olhos, lhe dizia: - Obrigado Maria!



Lou Ferro

12 setembro 2009

A sereia Cecília



Ela costumava nadar com uma amiga de infância, e todos os dias partiam para novas descobertas e aventuras, correndo mares e oceanos.
Traziam sempre com elas relíquias e tesouros, que guardavam num belo cofre dourado, muito bem fechado com cadeado de madrepérola.

Um dia, sua amiga lhe contou que iria morar muito longe dali, e que dificilmente voltariam a se encontrar.

Cecília ficou muito triste e sozinha... Sua melhor distracção, passou a ser admirar os tesouros por elas encontrados durante os longos passeios.

Mas, depois de algum tempo, Cecília resolveu ir dar uma nadadinha, para exercitar suas barbatanas.

O mar pareceu-lhe vazio e triste, mas ela insistiu no seu passeio solitário. Até que, de repente, ela avistou um lugar maravilhoso! Um jardim de corais multi-coloridos! Chegando mais pertinho, ela se apercebeu de uma presença estranha e grande como um rochedo! Era o boto Macrocean, que também bastante assustado, arregalou seus grandes olhos e saiu correndo, ou...nadarendo, para sua habitação. Serena também voltou para casa, muito impressionada!

Mas, no dia seguinte, depois de uma boa noite de sono, Cecília, curiosa, voltou ao jardim de corais, e ao avistar ao longe, Macrocean, admirou-se das suas belas cores e do seu jeito macio e delicado de nadar.

Aproximou-se pouco a pouco e foi logo se apresentando e cumprimentando o simpático boto.

E foi assim que aquela manhã passou tão rápido, para tanto assunto e tanta conversa, entre os dois novos amigos.

Desde aquele dia, os passeios se foram multiplicando.

Aquele hábito de procurar tesouros, que Cecília tinha, quando dos passeios com sua amiga, continuou com ela. Só que agora...




Ilustração de Cathy Delanssay


ela e Macrocean procuravam outras maravilhas, daquelas que habitam as águas, que fazem parte delas, e que estão sempre prontas a serem admiradas.

Aquela nova amizade tinha lhe ensinado a amar essas belezas, conservando-as em seus lugares naturais.

O verdadeiro tesouro daquela amizade, era a liberdade!


                Lou Ferro

A magia de Dora


Era um vez uma zebrinha chamada Dora, que vivia numa mata muito bonita e colorida.
Ela vivia contando as riscas do seu corpo. Todos os dias, depois do lanche, Dora ia para a sombra de um baobá centenário, e recomeçava a cotagem e recontagem... Mas eram tantas, tantas as suas riscas, que ela nunca conseguia terminar. Acabava sempre por adormecer antes! Para piorar mais, haviam riscas soltas nas suas costas. Por mais que se torcesse e contorcesse, não conseguia vê-las sequer!
Seus pais e irmãos estranhavam o comportamento dela, mas nenhum argumento servia para fazê-la desistir da ideia.
Um belo dia, Dora encontrou um amigo que não via há muitos anos. O gatinho Toquinho.
Contou-lhe a trabalheira que estava tendo com uma ideia que guardava consigo e que não podia explicar para ninguém.
Toquinho logo se propos a ajudá-la e assim o fez. Naquela mesma tarde, embaixo do baobá, quando o sol já se punha, a contagem terminou, enfim.
Dora voltou pra casa toda contente, repetindo sem parar, para não se esquecer: - São 254, as minhas riscas!
Durante aquela noite, ela fez muitas contas de somar, de multiplicar... operações e equações...e...muito cansada...acabou por adormecer!
No dia seguinte, ao ir fazer sua refeição matinal na beira do lago, ela se viu no espelho das águas e... admirou-se com sua nova imagem. Suas riscas, onde estavam? Escondidas nas somas e multiplicações?... Nem ela mesma sabia como explicar, só sabia que era isso mesmo que desejava. Ficar toda negra e lustrosa como uma pantera!
Voltou à correr para casa, toda contente. Encontrou seu amigo Toquinho que nem queria acreditar! Seus pais quase caíram para traz com o susto!
Com o passar dos dias todos se habituaram com o novo visual da Dora, que ficou muito famosa e respeitada por todos os animais daquela região e mesmo pelo mundo todo!




Ilustração de Quentin Gréban

Ciência e magia acontecem aos curiosos... quando a vontade é muito, muito grande!


                                                                                                                           Lou Ferro


Contentamento



Sr. sapo Jasmim, ficava escondido nas folhagens do caminho para ver o quê?
 Dona rã Magnólia bem sabia!!!

 Era para esperar passar uma certa menininha, visitante costumeira daquele lugar.

 Era uma vez um um domingo no Parque.

 Era uma vez uma menina que, quando ia ao Parque, ficava tão feliz... que até voava!

 Pula sapinho... pula rãzinha...



 Entre um salto e um pulinho, sempre se voa um pouquinho! 

Lou Ferro

06 setembro 2009

Um dia muito especial!

     
      Era um dia de sol, quando o verão se despedia e chegava o outono...tranquilo.
      No céu azul as aves voavam em rodopios... num ballet moderno, onde a improvisação fazia o encanto e a arte!
      No mar, azul também, veleiros brancos flutuavam em grupos, levados pela doce brisa.
      Na terra, as macieiras mostravam seus frutos já maduros, competindo com os pereiros e as vinhas.
      E ela, pequenina flor do meu jardim, entre magnólias e dálias perfumadas... num dia assim, de sol... disse sim!

     


Ilustração de Cathy Delanssay

É o dia do seu aniversário!



Lou Ferro
   

05 setembro 2009

A lenda da estrela do mar


Existe uma lenda que diz... que um pequenino e sonhador grãozinho de areia, olhou para o céu, numa noite de luar, e viu uma estrela diferente. A mais bela que ele já havia observado! O grãozinho logo imaginou que aquela cintilante estrela, poderia ser sua namorada...
Passaram-se assim muitos e muitos anos... ela no céu e ele no mar... O grãozinho jurando que se casaria com ela.
Ninguém até hoje sabe se houve realmente um romance entre os dois... 
 

 Mas o certo é que passado algum tempo... apareceu a estrela do mar!



Contada por vó Lou

03 setembro 2009

Como num sonho


Foi como num sonho.
Eu vi, sim senhor! Pela janela entre-aberta, de uma casinha pequena...
Uma sala de aulas tão diferente e bonita, de um tempo que já lá vai... Onde se aprendia a fazer malha, para os dias de inverno... em todas as cores, todas! Do cinzento ao amarelo!
Um professor ensinava aos pequeninos, alguns novos pontinhos, e uma senhora, ao seu lado, apreciava, com expressão de carinho.
Todos bem vestidinhos, com bibes e sapatinhos nesse tempo tão distante!
As meninas interessadas, em aula tão animada, conservavam o olhar atento, no professor com ares de doutor.
Dizia ele: - Vejam lá, o inverno vai chegar e temos que nos preparar!
Vamos fazer camisolinhas, cada uma mais bonita!
Quero vos ver bem catitas.
Vocês serão as mais bonitas gatinhas deste lugar!...
    
      

  

Lou Ferro

O ratinho Pipoca




Era um ratinho chamado Pipoca. Sua mãe o chamava assim, porque ele era o filhinho mais pequenino de todos. Era muito fraquinho, e desajeitado, por isso quase nunca acompanhava seus irmãos nas aventuras cotidianas.
Um dia, ele estava sentadinho debaixo de uma árvore, meio triste e pensativo, porque não lhe apetecia fazer nada, quando caiu bem encima de sua barriguinha, uma sementinha vermelha e muito redondinha! Ele se assustou e logo ficou a pensar o que poderia fazer com ela. E caiu mais uma... e outra!
Pipoca começou a jogá-las para o ar e a tentar apanhá-las. Pouco a pouco foi treinando...
Passava então sua vizinha Maricota, uma coruja branca muito inteligente, que ficou encantada de ver o que Pipoca era capaz de fazer com as sementinhas! Convidou-o para mostrar suas habilidades à sua família e amigos.
Hoje Pipoca é o malabarista mais famoso da mata e o orgulho de sua mãe e irmãos! Muitos fazem muitas coisas, mas o que Pipoca faz, só ele sabe fazer tão bem!


                   Lou Ferro

O tamarineiro



Havia no quintal da Mariazinha uma árvore muito frondosa e bonita. Chamava-se Tamarineiro. Suas folhas recortadas nunca caiam. Durante todo o ano ela tinha aquelas nuances de verde, que ao sol se tornavam mais claras, meio amareladas, e quando a chuva chegava, se tornavam azuladas. Seus troncos grossos e castanhos tinham lindas rugas que contavam seus anos, já muitos... muitos... perto de cem!   Num dia triste e nublado, Mariazinha viu que sua árvore estava ficando seca e suas folhinhas caindo, uma a uma. Pareceu-lhe mesmo escutar um suspiro de tristeza... de um passarinho branco, pousado num dos seus galhinhos! Mariazinha correu para acariciar sua amiga e sentou-se junto à ela, cantando uma linda cantiga de embalar. Ali ficou por muito... muito tempo!    
Quando Mariazinha acordou, foi correndo ao jardim e viu, cheia de alegria, que o Tamarineiro estava forte e saudável como sempre. Viu umas plumas brancas de passarinho e uma bela flor, por entre seus ramos.    
Ouviu então uma voz melodiosa, que lhe agradecia o carinho e dedicação.   
Uma brisa passou suavemente nos cabelos de Mariazinha. Ela sacudiu os ramos mais macios da velha árvore, que deixou um perfume delicioso no ar...    
       



Lou Ferro

          

A casa




Era uma casa antiga, abandonada e triste, no alto de uma colina...
Só os gatinhos abandonados a habitavam, e nas noites de luar, houviam-se os seus tristes miados.
Os passarinhos que por ali passavam, não tinham coragem de chegar perto,com medo dos gatos famintos.
As portas e janelas estavam fechadas pelas silvas e mato alto que tinham crescido ao seu redor.
As árvores estavam cansadas de deixar cair seus frutos para o chão, sem que ninguém os provasse sequer...

E veio um dia...
Bárbara chegou de mansinho...
Abriu as portas e janelas e olhou a paisagem serena. Ficou encantada!
Que trabalheira!
Limpou toda a casa por dentro e por fora, colocou cortinas nas janelas. Tratou das árvores e do jardim, semeou flores, e deu comida e guarida aos gatos...

E desde esse dia...
É uma casa no cimo da colina, habitada por alguém que é feliz...
De dia cheira a fruta madura... Portas e janelas abertas e floridas...
De noite, Bárbara senta no sofá que colocou em sua linda varanda, e põe-se a cantar lindas melodias...
Os gatos e pássaros vêm ter com ela...
O cheiro do jasmim e das magnólias envolve tudo...
A brisa morna da noite faz cintilar as estrelas...
E a paz do lugar, enamora o luar.
Bárbara mora lá!


                          Lou Ferro

A pequena fada de madeira



Alguém deve ter passado naquela mata serrada e visto aquela fadinha.
Num dia de outono, uma árvore muito idosa começou a descascar seu grosso tronco. Fatias finas de sua pele caíram no solo húmido e fresco e foram-se enrolando... torcendo... pegando forma.
Tornaram-se cada vez mais delicadas, de cor clara e acetinada.
Numa manhã de sol morno, nasceu Magnólia.
Sua pele macia, seus cabelos de musgo entrelaçados com flores silvestres...
Ela era a bela fada dessa floresta densa.
Qualquer brisa a transportava de um canto ao outro da mata.  Rodopiava por entre os galhos secos das árvores desnudas e falava com os pássaros friorentos, nos ramos dos pinheiros, resistentes ao frio.
Assim a viram e contaram... como uma pequenina fada de madeira. 
Assim imagino que ela se renova à cada outono.
Magnólia...
Quem terá passado naquela mata serrada e visto a fadinha?...

                                                                              Lou Ferro

01 setembro 2009

Mundo doce


Ilustração de Anna Silivonchik

Havia, num recanto do jardim da casa de Mariazinha, uma cor especial. Por vezes parecia mesmo que um pequeno arco-íris se formava, entre a samambaia e o tinhorão... por entre as magaridas e as rosas... bem por baixo da madressilva!
E que perfume doce havia naquele cantinho! Mariazinha trazia seu banquinho e ficava ali, na sombrinha, curtindo as tardes de verão.
E foi numa dessas tardes mornas e tranquilas, que ela viu uma fumacinha pairando naquele cantinho colorido.
Aproximou-se um pouco mais... e reparou, que num vão se formou um azul, cor de céu anil... Foi aí que ela escutou, um som suave e alegre ao mesmo tempo. Mais de pertinho ela espiou, e viu que ali existia um lugar bem especial!
Criancinhas miúdas, brincavam numa montanha verdejante, onde havia um parque de diversões feito de bolachas e biscoitos recheados. As mais diversas guloseimas transformadas em brincadeiras! Que animação! Que lindo era aquele mundo! E que colorido! Nem dava para acreditar... no céu, lindas aves coloridas, vibravam suas lindas asinhas de papel celofane!  Tudo era original!
Mariazinha fechou os olhos e respirou fundo, aquele inebriante perfume de festa!
Acordou devagarinho, e viu chegar de mansinho, sua mãe sorridente... que trazia numa bandeja uma fatia do seu bolo preferido, acabadinho de sair do forno!

                 Lou Ferro

A menina estelar

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E
ra... uma menina muito bonita e diferente. Quando a noite chegava, ela vestia seu vestidinho branco, soltava seus cabelos azuis e suas asas... Ela tinha a paz nos olhos e o carinho nos lábios... Ela era amiga e querida...
Um dia ela mostrou sua estrela preferida para os seus amigos, que ficaram encantados. E disse: - Se qualquer um de vocês estiver triste ou cansado... é só pedir à minha estrela que ela irá ajudar a dormir bem, ter bons sonhos e acordar melhor. Ela até pode ajudar a conseguir desejos!
Ela era assim... uma verdadeira amiga, daquelas que a gente tem vontade de abraçar com muita força!!!
Ela agora mora lá, numa estrelinha encantada...faiscando de luz...

                                                                                                                                          Lou Ferro

Em um mundo de papel


  
Ilustração de Lucile Placin

 Num reino de papel, havia uma menina que sonhava com florestas e   flores.
 Eram seus amores.
 Mas ela não conseguia se soltar. Estava inerte, ilustrada, numa cartolina vulgar.
 Num dia qualquer, Carlos brincava de recortar.
 Muitas tiras, cores várias, muitas flores, muitas folhas...
 Ele formou a menina que sonhava, e nela colocou seu olhar, sua vida.
 E nessa menina colorida estavam matas e flores...
 A menina entrou nesse encanto e ganhou vida!
 Ficou sendo sua amiga.
 Hoje ela é só uma índia colorida, que traz consigo o relógio de seu amiguinho, convidando-o a acordar!


                   Lou Ferro

Uma ideia feliz



Ilustração de Cathy Delanssay

Era uma dona Cigarra diferente de todas as outras. Ela gostava de sair a noitinha, com a fresca, e cantar até não poder mais!... Os animais da mata onde ela vivia, reclamavam do barulho das suas cantigas. Por isso ela resolveu ir morar junto à uma bela cascata, onde o son do seu canto se confundia com o das águas cristalinas e refrescantes. Pouco a pouco ela foi perdendo a tonalidade dourada do sol e ficando azulada pela luz do luar...
Um dia ela encontrou uma moradora do mesmo lugar, que a veio cumprimentar pela sua linda voz melodiosa. Era a dona Formiga vermelha, muito famosa pelas nuances de vermelho e laranja de sua pele, adquiridas pela exposição constante ao sol, nas horas mais quentes do dia. Dona Cigarra chegou a invejar aquela cor quente e vistosa, lembrando as suas irmães e primas. Mas a amiga logo elogiou sua pele azul da cor do céu, nas noites de luar.
Elas combinaram se encontrar todos os dias na hora do por do sol, quando o azul e o vermelho do céu se aproximavam... com o passar do tempo, as amigas foram ficando lilases, e tão parecidas que se confundiam na mata.
A amizade é a força maior que liga todas as criaturas!



                                                                                                                                                                                          Lou Ferro

A cigarra azul e a formiga vermelha



Era uma dona Cigarra diferente de todas as outras. Ela gostava de sair a noitinha, com a fresca, e cantar até não poder mais!... Os animais da mata onde ela vivia, reclamavam do barulho das suas cantigas. Por isso ela resolveu ir morar junto à uma bela cascata, onde o som do seu canto se confundia com o das águas cristalinas e refrescantes. Pouco a pouco ela foi perdendo a tonalidade dourada do sol e ficando azulada pela luz do luar...
Um dia ela encontrou uma moradora do mesmo lugar, que a veio cumprimentar pela sua linda voz melodiosa. Era a dona Formiga vermelha, muito famosa pelas variações de vermelho e laranja de sua pele, adquiridas pela exposição constante ao sol, nas horas mais quentes do dia. Dona Cigarra chegou a invejar aquela cor quente e vistosa, lembrando as suas irmãs e primas. Mas a amiga logo elogiou sua pele azul da cor do céu, nas noites de luar.
Elas combinaram se encontrar todos os dias na hora do por do sol, quando o azul e o vermelho do céu se aproximavam... com o passar do tempo, as amigas foram ficando lilases, e tão parecidas que se confundiam na mata.
A amizade é a força maior que liga todas as criaturas!

                                                                                                                                           Lou Ferro

História de amor


Ilustração de Rie Nikajima

Era uma estrela cintilante que brilhava sem parar. Numa noite nublada, acanhada, ela se sentiu humilhada por ter sido ocultada por um floco de nuvem.
Uma menina que andava por seu jardim a sonhar, olhou para céu e descobriu um brilho pouco vulgar.
Por traz da nuvem faiscava uma luz meio prata meio ouro... Ela sentada no seu banquinho esperou um pouco  e logo a nuvem desfeita deixou brilhar a estrela, que a menina reconheceu e pensou ser seu, só seu, aquele imenso tesouro...
A bela estrela encantada, brilhou com mais esplendor, feliz como nunca ficou. Brilhando nos lindos olhos daquele seu novo amor!
                   
                    Lou Ferro

A raposa Lili




Era uma raposa portuguesa, chamada Lili, vermelhinha como um caqui! Ela era muito friorenta e quando o Inverno chegava, ela ficava toda tremiliquenta... encolhidinha na sua tóca. Suas irmãs riam-se muito dela. Diziam que parecia uma ursinha hibernado!... Ela ficava um pouco triste, mesmo porque, enquanto toda a família saía para passear e procurar do que comer, ela ficava sòzinha, sonhando com a chegada da Primavera.
E foi mesmo durante uma bela Primavera florida, quando os dias começaram a aumentar, que ela resolveu  fazer uma longa viajem. Foi andando devagarinho por caminhos e montanhas, sempre em direção ao Sul. Andou tanto tanto, até que encontrou o mar. Virou um pouco à esquerda, sempre a beira-mar, quando avistou outra terra, do outro lado do mar. Parecia até que o mar era um rio, e ela ficou muito curiosa para saber o que haveria do outro lado... o lado de lá!... Mas como? Ela não sabia nadar!
Continuou andando e avistou um navio bem próximo. Para onde ele irá? Se perguntou ela...
Muito de mansinho, ela chegou bem perto e se aninhou debaixo de uns caixotes. Quando a noite chegou, ela foi correndo para o porão do navio e aproveitou para descansar. Quando acordou, deu conta de pessoas se aproximando e saiu abaixadinha sorrateira, do navio...
  Logo sentiu o sol quente que se fazia sentir. Seu pêlo caqui reluzia como faíscas de fogo! Pulou de contente e foi procurar uma sombrinha junto à uma palmeira e um pequeno regato. Ali encontrou un animal diferente, muito simpático que se apresentou: - Eu sou o Cocadinha! Os dois ficaram muito amigos. Cocadinha ensinou  Lili a apreciar as frutas do lugar. Frutas tropicais como mamão, banana, abacaxí, goiaba. Ela gostou de todas!
Por vezes sentia saudades de sua terra, ia até ao cais e olhava o outro lado mar. No final do dia passeava e aproveitava para se deliciar com pedacinhos de mantimentos trazidos pelos navios e caídos das frestinhas dos caixotes que os transportava. Levava sempre umas castanhas para seu amigo marroquino, o Cocadinha.
Viveu muito feliz ali, na sua nova terra, onde o sol era tão generoso!


                                                                                                                                       Lou Ferro

 

Um dentinho muito especial!

ERA...
uma ratinha chamada Karina.
ELA andava muito PREOCUPADA, com um dentinho de leite que ESTAVA PARA CAIR...
Sua MÃE, comprou-lhe um ESPELHINHO ESPECIAL, e ela gostou muito!

Um dia ela foi COM A MÃE, ao dentista, que lhe disse:
_ Não se preocupe, KARINA! Se você escovar bem TODOS os seus dentinhos,APÓS
CADA REFEIÇÃO, eles ficarão bem FORTES, e irão empurrar os dentinhos de leite, que
sairão SEM QUE VOCÊ SE APERCEBA!
Karina ficou MUITO FELIZ!
À PARTIR DESSE DIA, ela passou a escovar COM MAIS CUIDADO os seus dentes,
que ficaram MAIS FORTES E BONITOS! E MAIS! SUA mãe trouxe-lhe uma nova
pasta com sabor à menta e limão! Que DELICIOSO perfume e paladar!



NO FINAL DO DIA, quando Karina estava com muito soninho, ela pedia à sua amiga
mãe, que a AJUDASSE, para que não ficasse NENHUM DENTINHO ESQUECIDO!
NUNCA MAIS PREOCUPAÇÕES com os dentes, UFA!


Lou Ferro

Troca-troca


Era uma Fada Cor de Rosa que gostava muito de salada de frutas! Todo o dia, não podia faltar aquela saladinha, como sobremesa. Ela tinha um pomar em sua casa, e ali plantava todas as frutas de que mais gostava. A sua fruta preferida eram os morangos. Pelo sabor e pela cor rosada que deixavam em sua sobremesa.
Um dia, quando ela chegou ao seu quintal, reparou que não haviam mais morangos. Havia ventado muito durante aquela noite e o vento tinha levado os morangos mais maduros! Ela ficou desanimada. Como iria ser fazer a salada de frutas sem aquela cor maravilhosa? Pensou, pensou muito, mas não encontrou nenhuma boa ideia.
Foi então que lhe bateu à porta, a sua querida amiga Fada Cor Amarela. Ela tinha também um ar preocupado, pois tinham acabado suas bananas, a fruta de sua preferência!...
As duas amigas coversaram muito, e finalmente encontraram uma solução para as duas. A Fada Cor de Rosa ofereceu um pequeno cacho de bananas maduras para a Fada Cor Amarela, que foi para casa toda contente. Em troca, trouxe um cestinho de morangos para a sua amiga.
Tudo ficou resolvido por algum tempo. só até os morangueiros e as bananeiras voltarem a dar frutos!
É muito bom ter amigos verdadeiros!



Ilustração de Quintin

E quem quer trocar esta história por um beijinho?...

 
 

                                                                                                     Lou Ferro

O parque


                             Ilustração de Rae Nakajima

Havia uma casinha pequena e bem bonita...onde morava uma menina com sua mãe. Por vezes elas saiam para passear numa mata pertinho... e ficavam muito tempo respirando o ar puro e ouvindo cantar os passarinhos.
Um dia, a mãe resolveu plantar uma árvore igual à mais linda árvore do parque, no quintal de sua casinha. Quando a árvore cresceu e ficou forte, a menina já era grande e já tinha uma filhinha. Chamava-se Maria.  Nos galhos já fortes daquela árvore, foi colocado um balanço. Embaixo, uma mesinha com cadeirinhas, onde toda a família se encontrava para ficar na sombra, curtindo o verão!
E o melhor... alguns passarinhos do parque vizinho, se habituaram a fazer seus ninhos naquela árvore! Durante todo o dia havia canto e alegria!
Ir ao parque nos faz sentir como é bom estar com a natureza e nos faz ter vontade de trazer a natureza para mais perto de nós...


                                                                                                                                             Lou Ferro
 

Margarida


Margarida era uma linda menina que gostava muito de histórias. Ela sabia de histórias que mais ninguém conhecia!
Mais tarde, ela começou a fazer as suas próprias histórias. Qualquer palavra solta servia para ela se inspirar...
Margarida foi um dia convidada para escrever um livro para crianças.
Nesse livro ela contou a história de uma flor branca que era muito bonita, mas muito triste.



Ela gostaria de ser mais colorida... achava que assim, seria mais feliz. Um dia ela teve um sonho. Nesse sonho ela era uma flor negra, num jardim cheio de plantas negras, também. Todas tinham um perfume delicioso e estavam cercadas  de trepadeiras que se enroscavam e caiam como lindos cachos negros, também. Todas as pessoas adoravam aquele jardim, assim diferente e perfumado. Um dia, o príncipe daquelas terras, resolveu fazer um palácio bem juntinho do jardim negro, para poder passar as suas mais preciosas horas a admirar aquelas lindas plantas! A flor negra foi eleita como a mais linda das flores e recebeu o mais rico prêmio. Uma fina estaca em ouro e brilhantes!
Quando a flor acordou, reparou que suas pétalas estavam 
riscadinhas de negro com toques de arco-iris... Que felicidade!
O livro foi o maior sucesso.
Margarida percebeu que essa era a sua história. Ela era muito pobre, mas depois daquele livro, foi como se o negro da tinta de suas páginas se transfoasse em tesouro. Ela ficou rica e muito estimada... encontrando a alegria em todas as cores: No branco, no negro e na presença colorida e constante de muitas, muitas crianças!
Seus sonhos e esperanças de criança se tornaram realidade. Ela era feliz!
                                                                                                                                                   Lou Ferro
 

O tubarão peregrino e o peixinho vermelho


Ilustração de Amália Lage

Era um lindo peixinho vermelho que vivia em meio de belos corais e outros peixes muito coloridos.
Um dia, durante o seu passeio matinal, ele viu uma cena espantosa! Um grande tubarão lutava para se libertar de uma alga gigante que se tinha enroscado em sua cauda.
Quando o tubarão viu o peixinho, pediu-lhe que o ajudasse a se libertar, pois estava muito aflito. O peixinho, assustado, nem conseguia se mexer de tanto medo! Pensava: - Se o liberto, ele me devora! Mas a aflição do tubarão era grande, e o peixinho sentiu muita pena dele. Talvez conseguisse libertá-lo, mantendo-se  longe de sua boca medonha!...
E a vontade de ajudar venceu o medo. Com todas as suas forças, o peixinho começou a correr aos "zigs-zags" e com as suas pequenas barbatanas, foi cortando os ramos da alga, que acabou por libertar o tubarão.
O peixinho vermelho correu para se esconder por trás de um coral, mas o tubarão, todo contente, se aproximou para agradecer-lhe e oferecer sua amizade. Contou-lhe toda a sua vida e dos seus gostos, inclusive o de ser vegetariano. Ele não gostava de carne, só comia algas e plânctons!...
Uffa! - pensou o peixinho, que alívio!
Combinaram fazer um longo passeio por mares distantes... e assim o fizeram. O peixinho vermelho, agarrado nas costas de seu amigo, conheceu lugares lindos e diferentes. Corriam tanto que por vezes até voavam!
Nunca mais se separaram! E diziam à todos: - O medo nos avisa dos perigos, mas quando o vencemos de maneira inteligente, somos vitoriosos!

                                                                                                                                     Lou Ferro